sábado, 5 de maio de 2012

sobre o rapaz

Era uma vez um rapaz. Este rapaz, tão singular, enxergava o mundo com a mesma singularidade; e vivia a vida da mesma forma, de um jeito brilhante e sombrio. Apenas vivia, não esperava e, muito menos, planejava mais do que isso. Vivendo neste século tão apressado, planejado, calculado e relativamente desprezível, se sentia deslocado. Aos seus olhos, as estrelas apagadas pelas luzes de Paris ainda podiam ser vistas; aos seus ouvidos, cada nota e palavra das músicas podiam ser sentidas; à sua pele, o piscar dos olhos alheios o espancava; a ele, a vida era uma fotografia e não uma longa-metragem. Planos não eram feitos, e promessas só eram feitas sob circunstâncias muitíssimo especiais. Instabilidade era algo que preenchia cada célula de seu ser, e ele não poderia se ver de forma diferente. Cheirava a café, algo limpo, cigarros, vinho e viagens; e deixava rastros de algo semelhante a pó celestial. E quando queria, surgia na vida de alguém com rapidez; e se quisesse, desaparecia mais rápido ainda. Era, admito, alguém difícil de se lidar; e ainda assim, cativava quem passasse pelo seu caminho. Ou melhor, no caminho de quem ele quisesse passar por. Com tanta incerteza, era decerto que fazia melhor à razão e à sanidade de qualquer indivíduo não ter seu caminho cruzado por ele. Mas se por ventura alguém fosse escolhido para viver um período de tempo com o rapaz, e mais tarde tivesse a opção de voltar no tempo e fazer o contrário, acabaria que não mudaria nada. E qual a surpresa em dizer que a menina que vos escreve se apaixonou pelo rapaz?

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