"O que fazer com o amor?", perguntou o meu amor.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
note 6
Naquela tarde, mergulhada num abraço que parecia inacabável, senti que nada mais no mundo existia. Eu estava inatingível.
cigarro de madrugada
Toda noite, quase de madrugada, eu fumo meu cigarro. Gosto de fazê-lo principalmente quando está frio. E percebi algo inevitável: eu sempre penso em você nessa hora; e sinto uma saudade absurda. O que é estranho, porque fisicamente nunca passamos nenhuma madrugada juntos. É certo que passamos muitas madrugadas conversando, e as madrugadas mais longas eram as melhores; parecia que só havíamos nós dois no mundo, e isso era incrível. Vai ver porque às vezes, por mais egoísta e meio assustador que isso possa soar, eu queria o mundo desse jeito: só com a gente nele. Quero passar o máximo de madrugadas frias, e até as quentes, contigo; fumando, bebendo, tentando te fazer cócegas, reclamando, te abraçando e fazendo nada. E eu sou chorona, você sabe disso, todos sabem disso; e nas minhas madrugadas sozinha, fumando e bebendo água gelada e pensando em você, eu sinto uma vontade angustiante de chorar; raramente o faço, ainda bem. Desculpa se isso for pedir muito. É só que, sei lá, acho que você entrou na minha vida de forma muito rápida, e fez um estrago enorme nela. Não um estrago ruim, só um estrago estranho. Um estrago que me faz ter uma certeza quase absoluta de que por mais que um dia você possa vir a se cansar de mim, eu sempre vou, inevitavelmente, acabar pensando em ti, nem que seja um pouquinho, quando eu fumar meu cigarro de madrugada.
domingo, 22 de abril de 2012
sobre a saudade
saudade
sau.da.de
sf (lat solitate) 1 Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas. 2 Nostalgia.
Saudade é o vazio que sinto quando não estou contigo. Saudade é o medo que sinto mesmo quando estou grudada em ti. Saudade é sentir teus braços em volta de mim mesmo quando estamos a anos-luz de distância. Saudade é lembrar perfeitamente da sensação dos teus dedos no meu pescoço. Saudade é o frio na espinha quando lembro da tua voz ao pé do meu ouvido. Saudade é querer encaixar o meu rosto no teu ombro. Saudade é sorrir sozinha. Saudade é sentir o teu cheiro. Saudade é querer-te para mim. Saudade dói. Saudade é uma verdadeira loucura.
excesso
Às vezes (na maioria das vezes, confesso), eu tenho medo de viver demais as coisas, as situações, os momentos, tudo. É tudo muito intenso, eu sinto tudo de forma intensa demais. Quando há uma rachadura, eu parto em pedaços; e quando quebra, eu me desfaço completamente. Por que é que eu tenho que ser assim? Complicado.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
happy ending?
"There are no happy endings.Endings are the saddest part,So just give me a happy middleAnd a very happy start", Shel Silverstein.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
uma carta
Já ensaiei essa conversa tantas vezes na minha cabeça, em noites mal dormidas. Nesse momento você deve estar dormindo no quarto ao lado. E eu queria estar aí contigo; espero que saiba disso. Uma vez tentei te explicar o quanto eu te amo. Obviamente, a tentativa foi falha. E depois de tantas noites sem conseguir dormir em paz, descobri o que tinha de errado na minha tentativa de explicação: o que eu sinto por você ainda não tem nome, não pode ser explicado. Tudo entre a gente é muito intenso, eu descobri. Veio rapidamente, sem dar nem uma dica do baque que ia ser. E como disse Mário Quintana, "tão bom morrer de amor e continuar vivendo". E eu, toda rainha do drama como sempre fui, estou morta de amor por ti. Aliás, não de amor; e sim daquele sentimento inexplicável que ainda não tem nome. Engraçado que eu, atraída por drama como você bem sabe, sempre achei doentiamente lindo esses relacionamentos conturbados e destrutivos. Mal sabia eu que a gente seria meio assim; por mais que seja maravilhoso estarmos juntos o tempo todo, nossa personalidade incomum e insegura faz com quem qualquer coisinha do mundo de fora nos afete. "Uma relação boa não pode ser assim", é o que qualquer pessoa normal pensaria. Mas ao meu ver, o amor (mais precisamente o nosso inexplicável sentimento) nunca é completamente feliz. E apesar de todo o mal que a gente me faz, sempre achei que valia a pena; e ainda acho. Mas é aí que vem o sentimento inexplicável novamente! Não sei se acho que vale a pena te machucar por um "nós". Afinal, o que um cara como você pode querer em uma garota como eu? Eu não valho seu sofrimento, acredito piamente nisso. E acho que é isso que o sentimento esquisito significa pra mim: me importar infinitamente mais contigo do que comigo. E como eu já disse, não acho que eu possa te oferecer muito; há um mundo inteiro de pessoas melhores que eu por aí. E no meio delas, tem alguém que vai te fazer bem; diferentemente de mim. E mesmo quando encontrar esse tal alguém, não significa que vou sumir da sua vida. Acho que essa é a hora que eu me admito egoísta: eu não conseguiria te deixar de verdade. Nunca. Então, amor, acho que agora eu vou embora; te dar um pouco de espaço, um pouco de paz que nunca teve ao meu lado. Logo está amanhecendo, e minhas coisas já estão arrumadas para ir embora; estranho que eu não me sinto pronta para ir embora. Você vai encontrar essa carta embaixo do seu maço de cigarros. Aliás, já encontrou, não? E eu espero que depois de tantos devaneios meus, você finalmente tenha idéia de pelo menos um milésimo do que eu sinto por você. O "muito mais que amor" que eu sinto por você. Como eu disse, nunca sumirei da sua vida (mesmo se eu quisesse, eu não conseguiria); logo menos eu estou aqui de novo. Mas quando eu estiver aqui de novo, vai ser só para te ver feliz e nunca mais sofrer. Nós nunca gostamos de despedidas; e isso com certeza não é um "adeus", é somente um "até logo". Para sempre sua, Eu.
20/02/2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
um pouco sobre o amor
Amor. Incrível como essa palavra tão pequena move o mundo, não? Existem tantos tipos de amor no mundo; mas vamos falar do amor romântico. O amor romântico, na visão popular, é aquele te convence a querer ficar junto a alguém para sempre. Na verdade o amor romântico, como todos os outros amores que existem, não pode ser explicado por ninguém; e eu não ousarei tentar explicar algo tão além de mim. Mas o tão misterioso amor me fez perceber algo: amor te faz altruísta. O amor verdadeiro faz você se importar com a pessoa amada muito mais do que jamais se importará consigo mesmo. O amor é lindo; e mesmo lindo, te magoa. Pode te magoar de formas infinitas. E o altruísmo supracitado que o amor te obriga a ter, te faz se magoar para que o amado seja feliz. Então, resumindo: o amor é aquela sensação esquisita que dói e te dá prazer ao mesmo tempo, que faz você esquecer de si e só pensar se o amado está bem. Mesmo que esteja bem, bem longe de ti.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
caricatura
Sabe aquela caricatura da boba menina apaixonada? Os olhos sonhadores, o sorrir sozinha, o sorrir com os olhos, o chorar de amor, o não-dormir de toda noite, o suspirar por lembranças, o sonhar acordada... Esses são só alguns exemplos da lista clichê e inacabável. E me envergonho em ter de admitir que você pintou tal caricatura no meu rosto, e ela não quer sair.
domingo, 15 de abril de 2012
Alex to Alexa
"My mouth hasn’t shut up about you since you kissed it. The idea that you may kiss it again is stuck in my brain, which hasn’t stopped thinking about you since well before any kiss. And now the prospect of those kisses seems to wind me like when you slip on the stairs and one of the steps hits you in the middle of the back. The notion of them continuing for what is traditionally terrifying forever excites me to an unfamiliar degree", Alex Turner's love letter to Alexa Chung.
sábado, 14 de abril de 2012
sobre o meu sótão
Guardo muita coisa. É quase como se fosse o sótão de alguma avó muito sentimental; do tipo que guarda uma lembrança de cada dia de sua vida e da de cada filho, neto e bisneto. Meu sótão vive em partes, despedaçando, por entre meus medos e por entre meus dedos. As caixas de fotos empoeiradas são as imagens que eu guardei da gente; que assim como a caixa, precisam de um esfregão para que a poeira saia e tudo fique mais claro. As tábuas soltas do chão, que nos fazem tropeçar, são as brigas, os gritos, o pranto. O cheiro de mofo, que nessa analogia pode não parecer agradável mas juro que é, é o teu cheiro familiar, que eu sei que sempre vou encontrar no meu pequeno grande sótão. E aquele poltrona velha, tão confortável, sempre coberta por um lençol para que não pegue pó... Ah, a poltrona é o teu abraço! O abraço que por mais que permaneça embaixo do lençol por um bom tempo, eu sempre saberei que está no sótão para eu me aninhar.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
sobre o que não houve
Tão rápido quanto o derreter de um floco de neve, o que tanto me fazia sorrir acabou. As músicas ainda são as mesmas, assim como o meu coração, que agora só bate mais lentamente. Se eu pelo menos pudesse dizer que o reencontro que eu tanto ansiava não ocorrerá; mas não, não houve encontro. Não haverá. Os diálogos que tanto ensaiei mentalmente vão se dissolver com o tempo, ou nem isso. No fundo sei que tais diálogos se manterão quietinhos no fundo da minha cabeça. Todas as coisas planejadas, diálogos ensaiados, encontros ansiados; todas essas coisas darão as mãos e juntos irão para o mundo de fantasia que eu estou criando. Lá é lindo, sabe? Lá o floco de neve não derreteu, e o sorriso não acabou. As músicas, ao invés de me fazerem chorar, me fazem querer dançar. Lá temos um encontro, um reencontro e muito mais. No mundo de fantasia, os diálogos se tornam realidade e dão certo; são lindos. Ainda estou me perguntando onde que eu posso comprar minhas passagens para lá.
21/01/2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
sobre a inconstância
Tudo o que acontece aqui é tão inconstante. A sensação que tenho é de que entornei pelo menos três garrafas de vinho; as coisas giram. E ao invés dele ser meu ponto fixo, ele é aquele que me dá um impulso para girar um pouco mais.
note 4
Sobre o suicídio... Acho que a forma mais pura de altruísmo, apesar do tom narcisista disso, é se manter vivo.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
it's only love
"It's only love and that is all, but it's so hard loving you", The Beatles - It's Only Love.
terça-feira, 10 de abril de 2012
sobre o ciúme
ciúme
ci.ú.me
sm (lat vulg *zelumen) 1 Inquietação mental causada por suspeita ou receio de rivalidade no amor ou em outra aspiração. 2 Vigilância ansiosa ou suspeitosa nascida dessa inquietação. 3 Ressentimento invejoso contra um rival ou suposto rival mais eficiente ou mais bem-sucedido, ou contra o possessor de uma vantagem material ou intelectual cobiçada.
Ciúme tenho eu do ar, que está a tua volta o tempo todo. O ar, o tempo, as pessoas, a paixão que emanas; tudo que transborda de ti e te afogas. Enquanto aqui, tão longe, eu me afogo na agonia que a saudade traz.
domingo, 8 de abril de 2012
note 3
Engraçado como no fundo, não sei o porquê, eu ainda fantasio que um dia você vai aparecer aqui de surpresa, apenas pra me ver, sabe?
sexta-feira, 6 de abril de 2012
sobre as estrelas
Quando eu tinha cinco anos de idade, minha irmã mais velha me contou que o que ouvíamos nas conchas não era o mar. Não me abalou muito, confesso. Entretanto, me contou também que as estrelas, as tão lindas estrelas, já estavam mortas, mas que por estarem tão longe da gente, a sua luz só chegava até nós agora. Eu chorei. Chorei mesmo. Não tinha um porquê de eu ter chorado, mas eu o fiz mesmo assim. Sentia e sinto a presença delas tão perto e tão longe, ao mesmo tempo. Vai ver era a lenda de fazer um pedido quando se via uma estrela cadente; ou até mesmo, uma lenda não tão conhecida assim, a de fazer um pedido para a primeira estrela que eu visse toda noite. Não importa. As estrelas podem estar mortas, mas eu as buscaria onde quer que estivessem. Triste mesmo é não vê-las na cidade; não ver a morte delas, que mesmo tão triste é igualmente bela. As luzes da cidade invejam a luz das estrelas.
note 2
Sua alma era tão sensível. Tão sensível que eu quis morrer. E assim, quem sabe, com a minha alma você poderia completar a sua.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
sobre a menina triste
Havia essa menina. Ela chorava todas as noites, abastecia o mar com as suas lágrimas. Tão linda. Vivia sorrindo, sorrindo um sorriso bonito. As coisas mais bonitas são também as mais tristes, não? Olhe as estrelas; elas brilham, iluminam os que sonham acordados, e já estão mortas, descansando em paz. As rosas, por vezes oferecidas de uma alma apaixonada para sua musa inspiradora, essas também morrem, elas murcham; murcham como as pessoas fazem quando não sabem mais o porquê de continuarem vivendo. Assim fazia a menina bonita. Ela continuava vivendo, e murchando por dentro. Mal sabia ela que seu lindo sorriso triste regava a vida de alguém.
note 1
Meu estômago reflete perfeitamente bem o meu estado emocional. Ele vive enjoado. Nunca está bem.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
estar perto não é físico
Poderia ser aqui do meu lado, na casa vizinha, na esquina da rua de cima, no aglomerado de bairros tangenciando a minha cidade, na cidadezinha de interior no outro estado, no país aqui pertinho, na outra ponta do continente, no outro lado do oceano, no extremo oposto do planeta, fora da Terra, na imensidão do Universo. Sentiria sua agonia, o seu vazio e a pequena fagulha de esperança que há em você. Sentiria seu cheiro, seus olhos tristes e a sua pele fria com a mesma intensidade. Meu estômago e coração congelariam e revirariam da mesma forma se fosse aqui ou lá. Estaria por perto para vê-lo definhar, brilhar e voar. A distância é relativa; poderia não te tocar, e ainda assim sentir seu toque. E aquela pequena fagulha de esperança? Eu a alimentaria com a minha vida.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
teoria sobre a morte
Tenho uma teoria, que não foi criada sobre nenhum fato ou estudo, sobre a vida. No caso, a morte. Para ser sincera, ela não faz o menor sentido. Mas eu sinto isso o tempo todo, e isso me basta para que eu a tome como uma verdade minha. Tantos livros, filmes e até pessoas falam que quando morremos, assistimos um filminho da nossa vida inteira. E será que ninguém nunca pensou que o que chamamos de vida agora, é na verdade esse filminho? Para mim é isso, a gente já morreu, tá morrendo, tanto faz. Mas o que chamamos de vida, é a morte. E todo esse drama, alegria, suspense, romance e horror, e tantos gêneros mais, já acabou. Então pra que ter medo de uma coisa que estamos vivenciando?
domingo, 1 de abril de 2012
whatever works
"That's why I can't say enough times, whatever love you can get and give, whatever happiness you can filch or provide, every temporary measure of grace, whatever works", Boris Yellnikoff - Whatever Works (Woody Allen).
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