Toda noite, quase de madrugada, eu fumo meu cigarro. Gosto de fazê-lo principalmente quando está frio. E percebi algo inevitável: eu sempre penso em você nessa hora; e sinto uma saudade absurda. O que é estranho, porque fisicamente nunca passamos nenhuma madrugada juntos. É certo que passamos muitas madrugadas conversando, e as madrugadas mais longas eram as melhores; parecia que só havíamos nós dois no mundo, e isso era incrível. Vai ver porque às vezes, por mais egoísta e meio assustador que isso possa soar, eu queria o mundo desse jeito: só com a gente nele. Quero passar o máximo de madrugadas frias, e até as quentes, contigo; fumando, bebendo, tentando te fazer cócegas, reclamando, te abraçando e fazendo nada. E eu sou chorona, você sabe disso, todos sabem disso; e nas minhas madrugadas sozinha, fumando e bebendo água gelada e pensando em você, eu sinto uma vontade angustiante de chorar; raramente o faço, ainda bem. Desculpa se isso for pedir muito. É só que, sei lá, acho que você entrou na minha vida de forma muito rápida, e fez um estrago enorme nela. Não um estrago ruim, só um estrago estranho. Um estrago que me faz ter uma certeza quase absoluta de que por mais que um dia você possa vir a se cansar de mim, eu sempre vou, inevitavelmente, acabar pensando em ti, nem que seja um pouquinho, quando eu fumar meu cigarro de madrugada.
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