sexta-feira, 6 de abril de 2012

sobre as estrelas

Quando eu tinha cinco anos de idade, minha irmã mais velha me contou que o que ouvíamos nas conchas não era o mar. Não me abalou muito, confesso. Entretanto, me contou também que as estrelas, as tão lindas estrelas, já estavam mortas, mas que por estarem tão longe da gente, a sua luz só chegava até nós agora. Eu chorei. Chorei mesmo. Não tinha um porquê de eu ter chorado, mas eu o fiz mesmo assim. Sentia e sinto a presença delas tão perto e tão longe, ao mesmo tempo. Vai ver era a lenda de fazer um pedido quando se via uma estrela cadente; ou até mesmo, uma lenda não tão conhecida assim, a de fazer um pedido para a primeira estrela que eu visse toda noite. Não importa. As estrelas podem estar mortas, mas eu as buscaria onde quer que estivessem. Triste mesmo é não vê-las na cidade; não ver a morte delas, que mesmo tão triste é igualmente bela. As luzes da cidade invejam a luz das estrelas.

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