quinta-feira, 19 de abril de 2012

uma carta

Já ensaiei essa conversa tantas vezes na minha cabeça, em noites mal dormidas. Nesse momento você deve estar dormindo no quarto ao lado. E eu queria estar aí contigo; espero que saiba disso. Uma vez tentei te explicar o quanto eu te amo. Obviamente, a tentativa foi falha. E depois de tantas noites sem conseguir dormir em paz, descobri o que tinha de errado na minha tentativa de explicação: o que eu sinto por você ainda não tem nome, não pode ser explicado. Tudo entre a gente é muito intenso, eu descobri. Veio rapidamente, sem dar nem uma dica do baque que ia ser. E como disse Mário Quintana, "tão bom morrer de amor e continuar vivendo". E eu, toda rainha do drama como sempre fui, estou morta de amor por ti. Aliás, não de amor; e sim daquele sentimento inexplicável que ainda não tem nome. Engraçado que eu, atraída por drama como você bem sabe, sempre achei doentiamente lindo esses relacionamentos conturbados e destrutivos. Mal sabia eu que a gente seria meio assim; por mais que seja maravilhoso estarmos juntos o tempo todo, nossa personalidade incomum e insegura faz com quem qualquer coisinha do mundo de fora nos afete. "Uma relação boa não pode ser assim", é o que qualquer pessoa normal pensaria. Mas ao meu ver, o amor (mais precisamente o nosso inexplicável sentimento) nunca é completamente feliz. E apesar de todo o mal que a gente me faz, sempre achei que valia a pena; e ainda acho. Mas é aí que vem o sentimento inexplicável novamente! Não sei se acho que vale a pena te machucar por um "nós". Afinal, o que um cara como você pode querer em uma garota como eu? Eu não valho seu sofrimento, acredito piamente nisso. E acho que é isso que o sentimento esquisito significa pra mim: me importar infinitamente mais contigo do que comigo. E como eu já disse, não acho que eu possa te oferecer muito; há um mundo inteiro de pessoas melhores que eu por aí. E no meio delas, tem alguém que vai te fazer bem; diferentemente de mim. E mesmo quando encontrar esse tal alguém, não significa que vou sumir da sua vida. Acho que essa é a hora que eu me admito egoísta: eu não conseguiria te deixar de verdade. Nunca. Então, amor, acho que agora eu vou embora; te dar um pouco de espaço, um pouco de paz que nunca teve ao meu lado. Logo está amanhecendo, e minhas coisas já estão arrumadas para ir embora; estranho que eu não me sinto pronta para ir embora. Você vai encontrar essa carta embaixo do seu maço de cigarros. Aliás, já encontrou, não? E eu espero que depois de tantos devaneios meus, você finalmente tenha idéia de pelo menos um milésimo do que eu sinto por você. O "muito mais que amor" que eu sinto por você. Como eu disse, nunca sumirei da sua vida (mesmo se eu quisesse, eu não conseguiria); logo menos eu estou aqui de novo. Mas quando eu estiver aqui de novo, vai ser só para te ver feliz e nunca mais sofrer. Nós nunca gostamos de despedidas; e isso com certeza não é um "adeus", é somente um "até logo". Para sempre sua, Eu.
                                                                                                            20/02/2012

Nenhum comentário:

Postar um comentário