Já faziam uns bons dias que eu não abria o meu – o nosso – caderninho. Acho que não senti tanta falta de fazê-lo por estarmos tão perto um do outro ultimamente. Mas acabei de lê-lo.
Como todas as vezes, chorei. Como a primeira vez, chorei desesperadamente, sôfrega. Eu não queria ter feito isso. Eu não quero ir embora. Realmente espero que saiba disso. É só que dói demais saber que você acha que não é a coisa mais importante da minha vida, sendo que é. E eu tenho medo disso, sabia? De você ser o mais importante na minha vida. Isso é um posto que eu não queria dar pra nada, nem ninguém. Dar esse posto a algo ou alguém é admitir que estou vulnerável para sempre, e o tempo todo. Mas já é tarde, eu já estou vulnerável o tempo todo. Você me tem nas mãos, sempre digo isso. Se não digo, penso. Acho muito provável que nem chegue a ler isso. Você não tem a melhor das memórias. E até isso eu acho terrivelmente adorável. Agora além das palmas das minhas mãos formigando, eu sinto um vazio – vazio este que sinto sempre que passo mais que alguns minutos sem falar contigo – e um aperto no peito. E com aperto no peito, não exagero. É realmente sentir que tem alguns tijolos apoiados encima do meu peito. Não dá pra respirar. Não dá pra pensar. Não pra fazer nada. E é basicamente isso que eu sinto sempre que eu te perco. Sei que "eu que quis" te perder dessa vez. Mas é só que é difícil demais – para não dizer impossível para mim – lidar com esse seu sentimento de que não me importo. Ah, se você soubesse o quanto me importo! É um me importar a ponto de eu ter medo. Medo de depender tanto de algo para eu me sentir bem. Medo de te perder. E medo de te assustar, sempre tenho e terei medo de te assustar.
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