segunda-feira, 27 de agosto de 2012

sem título

Não sei como começar isso, sequer sei o que vou escrever. Acho que no fundo, só quero que leia isso pra postergar mais um pouquinho o fim de tudo. Mesmo que eu não vá obter resposta, sei que você vai ler; isso já adianta um pouco pra mim, sabe?
As últimas horas, desde que te mandei todas aquelas mensagens, têm sido algumas das piores horas que já vivi. Agora nem são as meias horas que machucam, cada minuto é ruim. E parece que o mundo conspira contra mim, fazendo tudo, até coisas nada a ver, me lembrar de você. Não é ruim isso. Sempre amei lembrar de você por todo e qualquer motivo, só que agora tá doendo muito, sabe? O que eu disse ontem, que no fundo eu ainda tenho esperança de pelo menos te ver, mesmo que de longe, quando eu estiver aí na semana que vem, é a mais pura verdade. Confesso, morro de medo de acabar te vendo com alguém, morro de medo de te ver; mas quero tanto... E a outra parte que eu disse também é verdade; absolutamente tudo vai me lembrar você. O aeroporto de Guarulhos, aqui em São Paulo, que tem o seu nome; a sala de embarque, na qual provavelmente passarei correndo pois sempre me atraso; todo o caminho até Florianópolis, que eu estranhamente já reconheço, mesmo sendo só a vista do avião; o portão de desembarque do aeroporto de Florianópolis; a casa que eu vou ficar, que mesmo não sendo a mesma da da última vez, é uma praticamente igual e acho que é a do lado; os miquinhos que devem aparecer, ainda mais porque agora deve estar ficando mais quente; o ônibus, que eu tenho certeza que eu vou pegar, até a Barra da Lagoa; a praia da Barra da Lagoa, na qual eu vou andar sozinha; as ruas do seu bairro, que vou andar olhando pro varal de cada casa na esperança de achar alguma roupa que eu conheço, e eu realmente fiz isso da outra vez; o Horto, que eu provavelmente vou pra ficar na grama, ver os coelhos, sentar no balanço... Como vai ser ruim deitar na rede, fumar um cigarro e beber cerveja, sem estar na ansiedade de te esperar chegar, me fazendo tomar um susto. Sabe, não consigo "parar" de chorar desde ontem; isso é horrível. Chorei no hospital hoje, foi ridículo. E se eu já sinto falta de você deitado encima de mim, das cócegas que sua respiração causava, aqui, imagine quando eu estiver aí? Vira e mexe, eu consigo sentir o cheiro da tua pele; acho que vou sentir mais intensamente quando eu estiver deitada na cama e perceber que não tem a outra parte da conchinha e que não tem suas pernas para eu entrelaçar as minhas. O meu nariz trancou; não consigo respirar, que nem naquele dia, se lembra? Sei que não adianta nada eu falar isso agora, ainda mais depois que você falou que desiste de tentar, mas, ah, como me arrependo por ter feito isso... Eu perdi a melhor coisa que me aconteceu. Sabe, nunca te falei isso, mas um dia contei pra uma amiga que o que me fazia querer acordar e sair da cama nesses últimos meses, era você. E era mesmo. Você sabe que minha cabeça tem lá seus problemas e a minha família tem mais ainda; e sabe também que eu me afeto muito por todos esses problemas. Mas, bom, era muito bom sentir que você se importava quando eu começava a ter uma crise, quando você dizia pra eu ficar falando com você e tentar ficar calma. Mesmo com toda a distância, você cuidou muito de mim, sabe? Obrigada. Queria ter conseguido fazer o mesmo... Você já nem deve mais estar agüentando ler esse monte de besteiras, mas se quiser, nem precisa ler tudo. Ou divide em partes, não sei... Da outra vez que terminamos, aquela que eu te contei que eu acabei ligando pra Helô pra eu não fazer besteira, eu falei com ela que eu ainda ia praí mesmo estando terminados. Ela perguntou se não era melhor eu cancelar a viagem ou coisa assim, mas eu prefiro ir praí, sabe? Eu vou ficar sozinha, vai ser bom ficar longe da minha casa... E de qualquer forma, eu sou tão completamente o tipo de pessoa que "gosta" de curtir a sua tristeza, sabe? Eu vou chegar na casa, que vai me lembrar muito você, vou colocar a playlist que me lembra você no alto-falante e vou ficar balançando na rede, tenho certeza. Vou sentir falta de você sentado e eu tentando te puxar com as pernas. Não sei nem porquê ainda falo tanto sobre o que vou sentir falta, você já deveria saber que vou sentir falta de tudo. Ah, hoje, saindo do hospital, sentei para fumar e saiu do hospital um casal que quase me fez chorar na rua também. Era um casal de velhinhos, ela era japa e ele não... Isso me lembrou a gente. Ok, a gente não vai ficar velhos de qualquer forma, mas entende o que quero dizer? Nunca me senti tão vazia na minha vida... E não bastasse ser vazio, o vazio tá preenchido com dor. Não sei o que fazer... Acho que eu devia ir terminando meu monólogo, né? Bom, vou tentar. Mas, enfim, sempre vou imaginar como é a música que você escreveu fez "pra mim", será que um dia eu a ouço? E cuida muito bem da Minnie, ok? Já que disse que não a jogará fora, se estiver bem para isso, não a guarde na escuridão para sempre, tá? Já te falei isso, mas quero explicar melhor; sabe porquê eu nunca digo "adeus"? Sabe aquela besteira que eu te disse que seria legal daqui a uns anos te ver de novo e sei lá, acontecer algo? No fundo, minha cabeça de romance adolescente cria isso. Desculpa, eu sei. Mas eu realmente espero que daqui a uns três anos (ou menos, eu preferiria que fosse daqui a uns meses), você vai estar famoso (porque eu não consigo enxergar de outra forma, você é bom demais para o anonimato), eu vou assistir a um show seu e a gente vai se ver. Provavelmente nem vai acontecer nada porque você vai estar cheio de groupies lindas e ocasionalmente legais e decentes; vai doer ver isso, mas vai que eu tenho a chance de voltar a ser sua amiga? Pelo menos isso eu quero, sabe? Eu não consigo parar de chorar... Meu nariz trancou, minha cabeça tá latejando, meu peito tá doendo. Sério, essa coisa de que o coração dói, comigo é literal! Eu tô sentindo que eu já não tenho muito mais pra escrever, mas queria escrever pra sempre, sabe? Prolongar eternamente esse término. Ah merda... Agora lembrei daquele primeiro dia, em junho... Eu lembro tão bem de tudo desse dia, chega a ser assustador. Mas bom, falando nele, obrigada por ter feito ele ser tão especial. Obrigada mesmo. Você tinha dito que tinha feito de tudo pra ser incrível e inesquecível pra mim; e acredite, foi, eu não mudaria absolutamente nada nele. Agora eu tô soluçando, isso está ridículo. Acho que agora vou falar o de sempre: desculpa por ter fodido com tudo, desculpa ter te machucado tanto, desculpa por te amar tanto. Inclusive, esse trecho de Mil Perdões me lembra a gente: "te perdôo por pedires perdão, por me amares demais"; sempre acho que você devia pensar isso em relação à mim. E além de pedir desculpa, quero te agradecer, né... Sempre achei amor uma coisa inimaginavelmente distante pra mim. Mas você fez a minha vida ficar meio filme de romance por um tempo, e muito obrigada por isso. Como eu não quero te perder. Não quero, não quero, não quero. Eu já te falei, é pra acreditar: você nunca vai me perder, eu sou sua e só sua. E eu espero que se cuide, que não guarde rancor da gente. Eu espero te ver do outro lado da rua quando eu estiver vagando por aí semana que vem. Eu espero um dia descobrir o nome do perfume que usa, pra eu ter a chance de sentir o cheiro de novo. Eu espero mesmo que se cuide, ok? Você prometeu tentar. Já não basta te perder desse jeito, não quero te perder de outros... Porque eu sempre imagino o pior, você sabe disso. Não sei mais o que falar, não sei mesmo. Provavelmente ainda vou escrever muitos desses nos próximos meses, se quiser ler você sabe onde encontrar... E você quem me mostrou, mas realmente é isso, "é sempre amor mesmo que acabe". Eu te amo tanto, mas tanto... Espero que um dia entenda o tamanho desse amor. Espero um dia achar a palavra certa pra expressar o meu "muito mais que amor". Já te contei que, não sei porquê, eu sempre achei "eu amo você" muito mais expressivo do que "eu te amo"? É coisa da minha cabeça, mas acho. E é isso, sabe? Não importa o quanto eu enrole nessa "carta", no final das contas, o importante é isso: eu amo você, meu amor, meu bonito. Eu amo você!

Nenhum comentário:

Postar um comentário