Já ando misturando muito do que é sentir falta e do que é saudade, na verdade. Não sei se sinto ou falta ou saudade, acho que ambos, de uns pequenos detalhes; detalhes que a maioria das pessoas deixaria passar em branco talvez. Sinto falta, e saudade, de estar deitada na rede, esperando você chegar; esperando você chegar com o seu ar pálido, de quem não queria sair de casa mas o fez porque quis; e me plantar um beijo de leve nos lábios. Sinto falta, e saudade, das minhas tentativas de te fazer cócegas e aquela risadinha de leve que você dava quando eu conseguia; e do teu olhar reprovador por conseguir. Sinto falta, e saudade, de tentar definir a cor dos teus olhos em determinado momento; e você me responder que é um camaleão. Sinto falta, e saudade, de ouvir você constatando minha baixa estatura e eu ficando nas pontinhas dos pés, agarrada ao teu pescoço pedindo para não se curvar. Sinto falta, e saudade, de te abraçar com o celular, tocando Frank Sinatra ou Glenn Miller (e até mesmo a música breguíssima do McFly que era meu sonho adolescente dançar), na mão enquanto dançávamos desajeitadamente, quase parados. Sinto falta, e saudade, de tremer quando abraçados enquanto tentamos fumar. Sinto falta, e saudade, de ver teus olhos apertadinhos em uma linha imitando os meus; e de quando rola os olhos me imitando para que eu faça o mesmo; e da tua risada quando eu de fato rolo os olhos. Sinto falta, e saudade, de quando morde os lábios fazendo uma careta que era para ser sensual. Sinto falta, e saudade, de sentir o teu cheiro, que é pele e perfume; e de nunca conseguir explicar qual o cheiro da tua pele. Sinto falta, e saudade, de toda a atmosfera cheia de fantasia, e uma certa utopia, que é estar contigo. Sinto tanta falta, e tanta saudade, de você e você e você.
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